Lendas e tradições

Lenda da origem do nome – Criança
Existe uma lenda que diz que Cantanhede tinha uma floresta e que para ela vinham de Coimbra muitos caçadores, dentro dos quais D.Pedro I.
Um dia um caçador muito rico e vem vestido encontrou uma mulher amamentando um bebé, e perguntou-lhe o nome desta terra. Então ela, ficou logo muito atrapalhada porque pensava que era o Rei e não sabia o que responder. Em dado momento disse para o seu outro filho que ali estava: canta Nhede, logo o caçador disse que não era preciso dizer mais nada, foi ter com os seus companheiros para lhes dizer que o lugar onde caçavam se chamava Cantanhede.
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Lenda da origem do nome - Ceguinho
Há ainda outra lenda para a origem do nome Cantanhede, que nos diz que havia aqui um cego chamado Nhede. Este ganhava o seu sustento cantando e as pessoas que passavam por ele davam-lhe uma esmola como é habitual. Um dia o cego ficou triste e deixou de cantar, então as pessoas que por ele passavam diziam: canta Nhede. Em redor do cego só se ouvia pronunciar: canta Nhede. E assim se passou a chamar Cantanhede ao aglomerado  populacional  onde o cego cantava.
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Lenda do túnel
Dizia-se que: entre a Fonte de D. Pedro em Cantanhede e o Castelo de Montemor-o-Velho havia um túnel secreto. Este servia para quando os sitiados estavam cercados, poderem vir a Cantanhede buscar mantimentos ou fugir se necessário.
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Lenda do Anel
"Morrendo a rainha D. Elvira, casou o rei D. Ordonho com uma mulher nova. Este tinha do primeiro casamento os infantes: D. Sancho, D. Afonso, D. Ramiro, D. Garcia e D. Ximena. A madrasta não se dava bem com D. Ximena e esta desgostosa deu entrada a um sentimento de amor com que a solicitava certo senhor principal do reino. A infanta que em vida da mãe ocupada com esperanças favorecidas não dera entrada a pretensões amorosas, deixou-se agora levar delas  e com tão pouco resguardo que esquecida de si mesma assentou com o cavalheiro que a pretendia de se ausentar da corte e passando a reinos estranhos viver, onde gozasse dos bens que o pensamento representa grandes antes de possuídos e o tempo mostra pequenos depois de alcançados.
Uma noite, quando rei se encontrava ocupado nas conquistas ordinárias, a infanta partiu com as peças de ouro e prata mais valiosas que pôde levar e tomando-a o seu amante no cavalo se alongaram da cidade por brenhas e lugares escusos onde não pudessem supor que existisse gente humana.
Mas como a correspondência do amor não era igual entre os dois, como o não era a nobreza de sangue, o fidalgo dizendo que ia buscar mantimentos a um povoado, foi para nunca mais voltar. Os dias de espera desenganaram Ximena da perfídia do seu falso amante, trazendo-lhe que ainda à memória verdades, que não se admitem senão quando o tempo não as admite a elas. Partiu dali pela parte donde vira ir o perfídio que ali a deixara e foi ter a um pequeno casal chamado Meneses, onde vivia um trabalhador pobre e honrado chamado Tello. A mulher do camponês compadeceu-se com a Infanta e recebeu-a dando-lhe o melhor agasalho. Ximena mudando os seus trajos começou-os a servir com alegria e paciente.
Morrendo a mulher de Tello, ele quis aceitar a Infanta por mulher legítima.
Entretando na côrte D. Ordonho desgostoso repudiou a segunda mulher, a quem atribuía culpas pela fuga da filha. E indo um dia caçar tomou-o a noite junto do casal Meneses; agasalhou-se nele com os poucos que levava. Nesse tempo a Infanta tinha dois filhos de Tello nascidos ambos de um ventre. E conhecendo o pai cortou os vestidos com que ali chegara  e fez uns pelotes, para os meninos, metade ricos, metade pobres. Fazendo umas melassadas, que sabia o rei gostar, lançou dentro um anel de rubi, que o pai lhe dera, E mandou-as pelos meninos.
O rei intrigado informou-se junto de Tello. Este contou-lhe com até ali viera ter sua mulher. Porém tudo se esclareceu, quando ela coberta de lágrimas se prostou aos pés do pai.
D. Ordonho tomando conselho com os seus, perdoou à filha e encheu Tello de grandezas. E seus netos vieram a ser grandes senhores do reino e os seus descendentes aparentaram muitas vezes, andando os tempos com a Casa Real. Chamaram-se com o sobrenome de Meneses conforme ao do seu solar, Trazendo por armas um escudo de ouro: é memória do pano brocado, com que os meninos apareceram a primeira vez diante del Rei D. Ordonho, seu avô. E para não se perder a lembrança de Tello, tronco e origem de tão nobre fidalguia se conserva entre os fidalgos desta geração o patronímico Tello, e Tello de Meneses".
 
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TRADIÇÕES
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- A matança do porco
- Queima do Judas
- As bodas de casamento (durante dois dias) com grande quantidade de pratos em que não faltam as iguarias gastronómicas
Tradição - cada um dos noivos vai para casa de seus pais com os respetivos convidados, oferta de dois bolos regionais e um prato de arroz doce a cada um dos convidados, bem como a oferta de um “caçoilo” de arroz e uma galinha quando se trate dos padrinhos (Ançã)
É também tradição, durante as bodas de casamento, enfeitar as casas e as ruas dos noivos
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- “Cantar as Almas Santas” ou “Amenta das Almas” - Quaresma
Pela Quaresma, grupos de rapazes e raparigas vão a todas as casas cantar as "Almas Santas" sendo-lhes dada uma esmola em dinheiro que se destina à reza de missas pelas almas do Purgatório. 
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Esse cântico, que é composto por muitas quadras, começa pela seguinte:
À porta das almas santas,
Bate Deus a toda a hora
As almas lhe responderam:
- Meu Senhor, que quereis agora?
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- “Serra-à-Velha” – Micareme (Sátira aos avós)
Na 4ª Feira de "Micareme", junta-se um grupo de homens munidos de um funil, de um serrote e de um bocado de cortiça, madeira ou latão. O grupo divide-se em duas partes, e lá vão os homens, durante a noite, disfarçados e sem serem vistos, visitar as casas onde haja pessoas idosas, avós pela 1ª vez, com o fim de as "serrarem", isto é: um dos grupos faz as perguntas através do funil e o outro responde e serra em cortiça ao mesmo tempo. As perguntas são de crítica com piadas às pessoas a quem se dirigem. Ao mesmo tempo, o que está com o serrote faz que "chora" como se estivesse no lugar do que está a ser "serrado". Isto tem graça na medida em que é ouvido pelos vizinhos e se descobrem coisas que eram desconhecidas de muitas pessoas. Normalmente, não se chega a descobrir quem foi o grupo do "serramento da velha".
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- “Cepo Bento”
No dia 24 de Dezembro, ainda de dia, grupos de rapazes fazem uma fogueira onde durante toda a noite arde um grande tronco de árvore, à volta do qual muita gente confraterniza, conversando e comendo. O cepo que restar da fogueira é arrumado para queimar nos dias em que troveja, para que a trovoada passe mais depressa.
Nestas ocasiões de trovoada também é costume queimar o alecrim que foi benzido na Missa de Domingo de Ramos que quase toda a gente leva consigo à Igreja durante a Procissão de Ramos.
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- As Maias (1º. de Maio) - De madrugada, enfeitar as janelas com flores selvagens e campestres, especialmente giestas amarelas.
Rito da fertilidade para com o novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola. 
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- Oferta do “Pé de Porco” ao Santo António e carne de porco ao Menino Jesus no presépio. As ofertas são depois leiloadas.
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- Noite de S. João - Roubar os carros de bois e levá-los para o adro da Igreja.
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- “Adiafa” das Vindimas - A Roca ou ramo, "bandeira" do povo da região da Bairrada.
Na vinha, as mãos ágeis das vindimadeiras confecionavam com um pau e varas das cepas a Roca que enfeitavam com uvas, bolachas e flores de papel. 
Este símbolo do final das vindimas, seguia 
na última dornada de uvas e era ofertado 
pela vindimadeira mais nova à lavradeira 
rica, declamando a seguinte quadra:
Ofereço este raminho 
Por menor idade 
É oferecido por mim, 
E p'la minha mocidade
Ao que a lavradeira rica retorquia:
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Eu aceito e venero 
Por ser das mãos de quem vem 
Eu não era merecedora 
De alcançar tamanho bem.
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Seguia-se a "Adiafa", grande festa com sopa de grão-de-bico, carne de porco e "manga de capote" (massa), papas de abóbora, chanfana e arroz doce, tudo regado com muito, muito vinho. 
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Ao som da concertina e à voz do mandador, dançava-se até às tantas da madrugada.