Arqueologia

CANTANHEDE
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Foi aqui descoberto um cemitério no qual se reconheceram 29 sepulturas (mas seriam muitas mais). O cemitério é provavelmente medieval mas uma estrutura anterior, de alvenaria, forrada de opus signinum, cerâmica romana de construção e uma fíbula romana deixam supor uma ocupação da época romana.
 
Não é possível, com tão pouco, identificar o tipo de estação romana. Cantanhede significa “lugar onde há pedreiras” (Machado, 1993). O achado recente de novos vestígios de ocupação romana em Cantanhede, designadamente uma lápide funerária (noticiada em A Voz de Mira de 16.08.2002), relança o problema da identificação de Cantanhede como estação romana: terá havido aqui um vicus?
"Sítio das Várzeas: Jazida.
 
Estrutura e espólio: Em leira de pinhal recentemente surribada foi possível recolher material lítico de sílex, com destaque para uma lâmina inteira e com retoque bilateral e várias lascas. O sítio foi referenciado em trabalhos de prospecção tendentes a localizar o microtopónimo Várzeas da Mamoa. A confirmação deste microtopónimo foi possível por depoimento do respectivo proprietário em vinhas distantes um quilómetro, para norte, do local dos achados (coordenadas: 40° 21' 10" /8° 36' 43"). Nesta área, hoje ocupada por vinhas e pinhal, a poente da circular exterior de Cantanhede e confinante com curso de água sazonal denominado Vala da Várzea, a prospecção revelou-se infrutífera.
 
Depósito do espólio: Museu da Pedra do Município de Cantanhede"  in: Carlos Manuel Simões Cruz - Carta Arqueológica do Concelho de Cantanhede - 2005 
SÍTIO DA VARZEA - "recentemente o arqueólogo António silva encontrou algumas lamelas de silex, um fragmento  de lâmina e uma ponta de seta de base côncava. São materiais Pré-históricos.
 
Junto ao actual cemitério, na parte Norte da cidade, a cerca de 21km do oceano.
Época Neolítica: Machado encontrado em 1898 e depositado no Museu da Figueira da Foz (n.º 75 - A - 455). É um belo machado de anfibolite, polido, bom gume e em forma de triângulo esférico alongado. O Dr. Santos Rocha identificou-o com o tipo de machados que, frequentemente, apareciam no Cabo Mondego. Apareceram ainda mais 4 machados em Cantanhede em 1876 que foram oferecidos ao Instituto, pelo Sr. Dr. Augusto Filipe Simões (catálogo dos objectos existentes no Museu de Arqueologia do Instituto de Coimbra, 1877)." in: João Reigota - Gândara Antiga - 2000
 
Sítio dos Vialhões 1. Casal 
Descrição - Estrutura e espólio: A SSW de Cantanhede, a uma centena de metros a sul da passagem de nível, em topo de vinha paralela à linha-férrea, sobranceira a linha de água (Vala do Juncal ou Carvalha) e a escassas dezenas de metros de pinheiro manso isolado que mina a paisagem. Ocorrência, à superfície, de material cerâmico de construção (tegulae e imbrices), cerâmica doméstica num e escória.
Depósito do espólio: Museu da Pedra do Município de Cantanhede. in: Carlos Manuel Simões Cruz - Carta Arqueológica do Concelho de Cantanhede - 2005
 
 
POCARIÇA
 
É a Pocariça uma povoação antiquíssima porque tudo leva a crer que já existia no tempo em que a península hispânica era habitada pelos romanos, surpreendendo a forma como foi traçada a sua planta, com amplas e bem rasgadas ruas, que lhe dão o aspecto de uma asseada e linda vila, causando a inveja de tantas outras, espalhadas pelo pais e que bem estimariam poder igualá-la.
Não é possível conhecer-se a data da sua fundação. Há, porem, vestígios bem frisantes de que os romanos aqui teriam vivido.
 
Ainda não há muitos anos, em Maio de 1926, numas escavações no sítio do Beato, foram encontradas muitas ossadas que, pela sua configuração, bem denotavam pertencer a uma época remotíssima.
 
Um esqueleto quase completo media perto de dois metros de comprimento e encontrava-se num túmulo de pedra tosca, constituído por duas pedras grandes que ladeavam a ossada e por uma outra abaulada, mas incompleta, que lhe devia servir de tampa ou cobertura. O crânio assente numa pedra, a servir-lhe de travesseira.
 
Estas ossadas foram novamente enterradas debaixo de um tanque o actual proprietário do prédio, Sr., Júlio de Carvalho Simões, ali mandou construir junto de um moinho de vento.
 
Já algumas dezenas de anos antes se haviam encontrado, no mesmo sítio, muitas moedas de cobre, romanas, assim como fragmentos de olarias, especialmente de telhas, de aspectos absolutamente diferente das usadas na região.
Posteriormente, em Outubro daquele ano de 1926, aparecerem, muito perto do mesmo sítio, 31 moedas ou denários de prata de vários imperadores romanos e duas mós manuais, que hoje são pertença do Sr. Manoel Evaristo Pessoa.
Ainda no mesmo sítio do Beato e a cem ou cento e cinquenta metros do local, onde tinha aparecido as ossadas, a que acima se faz referencias, aparecido as ossadas, a que acima se faz referencia, apareceram também, numa surriba que o Sr. Carvalho Simões havia mandado fazer, uma centena, aproximadamente, de outras sepulturas. Estas, porém, ainda denotavam uma época muito mais afastada, não só porque eram rudimentaríssimas – caracterizando-se todas por uma cobertura de pedras pequenas, debaixo das quais a terra se apresentava muito mais escuras, por efeito, certamente da decomposição dos corpos, como também porque nelas só apareceram fragmentos de ossos.
 
Todas estas circunstâncias nos fazer crer que aqui teria havido uma povoação romana e que no Beato seria a sua necrópole.
 
Infelizmente, inutilizou-se uma lápide também encontrada, há muitos anos, ainda no mesmo sítio e cuja inscrição viria, possivelmente, projectar alguma luz no esclarecimento de tão intrincado problema.
 
Do que não pode duvidar-se, é que a povoação da Pocariça é antiquíssima.
Atestam-no, ainda hoje muitos edifícios interessantes, cuja construção deve datar de muitos séculos.