ASSOCIAÇÃO MUSICAL DA POCARIÇA

Dados da associação
Nome: ASSOCIAÇÃO MUSICAL DA POCARIÇA
Morada: Rua José Lopes de Figueiredo Pocariça – Cantanhede
Código postal: 3060-503
Nº Contribuínte: xxxxxxxxx
Email: ampocarica@gmail.com
Website / url: http://www.ampocarica.com
Nº Telefone: 231 42 08 71
Nº Fax: 231 42 08 71
Pessoa de contato: Sem informação disponível
Contato de responsável: Sem informação

A Associação Musical de Pocariça foi constituída em Abril de 1914 com a designação de Associação Musical Recreativa da Pocariça.
”Nasceu” de um Grupo Musical ou Tuna, de instrumentos de cordas que se denominava Grupo ou Sociedade Dramática Pocaricense 14 de Julho, provindo esta dum grupo anteriormente chamado Recreio Artístico. Foi numa das reuniões daquela Associação artística que o Sr. Dr. Manuel Magalhães Pessoa, lembrou a necessidade de se criar uma Banda, ideia que foi secundada pelos também saudosos Srs. Aníbal Ribeiro Fonseca, Francisco Ribeiro Fonseca, Laurindo Mendes Fonseca, José Francisco Paulo e Manuel Evaristo Mendes Fonseca.
 
Os primeiros passos para o seu ressurgimento são coroados de êxito, sendo também elementos activos os Srs. Raimundo Lopes de Assunção, José Correia Martins, Augusto Mendes da Fonseca, Ilídio Leitão, Raimundo Nunes de Melo e João dos Santos Direitinho. A aprendizagem da imortal Arte começou em Julho, servindo alguns instrumentos da anterior Tuna que foram oferecidos, e, como seriam necessários muitos mais instrumentos, foi então que o Sr. Francisco Ribeiro Fonseca pôs à disposição, a título de empréstimo, (sem juros) todo o dinheiro para a sua compra. Foi este bondoso pocaricense ilustre que abriu caminho para que a Banda viesse a ser um facto.
 
Angariando sócios e organizado o respectivo Fundo Social por subscrição pública e outras receitas, foi contratado um Mestre de Música – António Rodrigues Povoas de Mangualde para tomar conta do ensino dos rapazes que haviam de constituir a Filarmónica – principal objectivo a que visava a Associação.
 
Foto Associação Musical da Pocariça
Foto Associação Musical da Pocariça
Após meio ano de aprendizagem fazia a Banda a sua primeira apresentação em Sepins, no dia 25 de Dezembro de 1914 e a sua estreia na Pocariça em 1 de Janeiro de 1915, saindo para a Rua em cumprimentos aos seus Benfeitores e à Terra.
 
Os mais entendidos puderam desde logo reconhecer que não faltava habilidade e acentuada vocação artística na maioria dos elementos constitutivos da Banda, e a pouco e pouco se foram notando os seus progressos, não tardando que começasse a ser conhecida e a gozar da fama que há muito a vem acompanhando sempre.
 
Nas Febres, nos primórdios da sua criação em que começou logo a obter bons sucessos, sai vitoriosa num concerto com duas filarmónicas, de nome feito, não obstante a sua pouca experiência nestas andanças. Este êxito deve-se em grande parte ao então regente, que, senhor do seu papel, recomendou calma e atenção aos seus pupilos. E ligada à mesma actuação, registe-se a extraordinária vontade dos elementos musicais do conjunto, Srs. Armando Figueira Machado e José Vila Nova, que, encontrando-se na Figueira da Foz em cumprimento do serviço militar se aventuraram a até percorrer, a pé, a distância daquela cidade a Febres – cerca de 50 quilómetros… Eram, assim os homens de outros tempos!…
 
São inúmeros os seus triunfos, mormente em Vagos em que se bateu com brilhantismo com a Banda local; conquistou o prémio de 500$00 que lhe foi atribuído, em concorrência com outras Bandas do Distrito, por ocasião das Festas da Rainha Santa, de 1932, em Coimbra; A preferência que lhe foi dada nas festas da Rainha Santa, em 1934, tendo-lhe sido destinado o lugar de honra na recepção ao venerando Chefe do Estado, que lhe ofertou uma linda fita de seda branca com a sua assinatura; O convite da Câmara Municipal do Porto para as Festas de S. João no Palácio de Cristal, em 1935, onde actuou em concertos em competição com outras afamadas Bandas do Norte portando-se com galhardia a ponto do ilustre Presidente daquela Vereação, e antigo Ministro de Estado, Sr. Dr. Alfredo Magalhães, se deslocar à Pocariça, homenageá-la com o oferecimento de uma fita de seda com a heráldica daquela edilidade portuense. Ainda na mesma ocasião, pelo Sr. Dr. Oliveira Lima – colega daquele ilustre homem de Estado na Faculdade de Medicina do Porto – ofereceu uma lindíssima placa de metal bromo-niquelada, com a legenda “Banda da Pocariça”; esta placa, que assenta numa coluna, também de metal niquelado e de peças articuladas, acompanha a Banda sempre que ela tem de dar concertos em coretos e serve para indicar a terra, a que pertence;
 
Novamente convidada pela Câmara, volta à nobre, leal e invicta cidade, para as Festas de S. João no Palácio de Cristal em 1936,realizando vários concertos que positivamente lhe confirmaram o seu valor na arte. No mesmo ano (1936) em Coimbra, é escolhida entre 37 Bandas Musicais do Distrito, para abrir um cortejo que se formou no Largo Miguel Bombarda e se dirigiu para o Largo de Santa Cruz. Foi também escolhida para a Legião Portuguesa do distrito deslocando-se a Lisboa quando das comemorações do 28 de Maio de 1937.
Por alvará do Governo Civil de Coimbra de 2 de Março de 1937, foram aprovados os seus primeiros Estatutos, passando a Associação a designar-se Associação Musical de Pocariça.
 
Só em 1948 a Associação teve a sua sede própria, graças ao benemérito Sr. Manuel Evaristo Pessoa, que legou no testamento de seus netos Srs. Evaristo Gabriel e Fernando Gabriel Pessoa, uma propriedade para que fosse construída uma casa própria, que é hoje, o orgulho da Banda e dos seus associados desde 1949; para a sua inauguração organizou-se um grupo cívico sob a direcção artística do Sr. Mário Pereira da Silva que fez algumas récitas com agrado geral, grupo que no ano de 2000 foi revitalizado – Grupo de Teatro, Arte e Cultura da AMP, que tem participado nos Ciclos de Teatro, promovidos pela Câmara Municipal de Cantanhede e em localidades da região.
 
Para além das inúmeras festividades, a Banda da Pocariça, participou no início da década de 60 no I Concurso Nacional de Filarmónicas e Bandas Civis, promovido pela FNAT. A primeira eliminatória realizou-se em Coimbra no salão da FNAT, competindo com as Bandas de Góis e Quiaios, tendo passado à eliminatória seguinte, que ocorreu no Porto.
 
Após ter ultrapassado as primeiras eliminatórias em Coimbra e no Porto, a Banda apurou-se para a final desta competição que se realizou no dia 22 de Setembro de 1960, em Lisboa; tal feito fez deslocar uma comitiva de 50 pessoas a Lisboa que acompanhou os músicos desta colectividade. A final desta competição realizou-se no Pavilhão dos Desportos conseguindo o segundo prémio de mérito artístico em terceira categoria, sob a regência do Sr. Manuel Farinha de Oliveira. No dia seguinte desfilou entre o Parque Eduardo VII e o Terreiro do Paço, executando a marcha “O Comandante”. Para além do desfile actuou no coreto da Praça José Fontana onde se encontrava a comunidade pocaricense residente em Lisboa. Esta retornou ao Pavilhão dos Desportos para encerrar a sua actuação neste concurso, sob o olhar do Senhor Presidente da República.
 
No início da década de 70, entra nume fase de renovação e inovação com a entrada de duas raparigas – Maria Filomena e Maria do Ceú, para a Banda Filarmónica que até esta altura era exclusivamente masculina. A presença feminina é destacada por um periódico de Lisboa, pela forma como a Banda da Pocariça resolveu a crise da falta de elementos nas Bandas de Música.
 
Em Julho de 2007, participou nos “Concertos Museu da Água de Coimbra, 2007”, promovido por iniciativa das “Águas de Coimbra EM” e “Orquestra Clássica do Centro”, sob a forma de Concurso. Entre 10 Bandas do Distrito de Coimbra, seleccionadas pela organização, e perante um júri constituído por pessoas credenciadas, com experiência filarmónica e de reconhecida competência nacional conquistou o 1º Prémio – Grande Prémio “Museu da Água de Coimbra 2007”.
 
Nos últimos 10 anos, a Banda deu um salto qualitativo significativo, o que lhe tem permitido atuar nas grandes Romarias do Norte, com destaque para o “ Senhor da Pedra”  em Miramar, “Senhora da Saúde” nos Carvalhos, a “Santa Eufémia” em Oliveira” do Douro e “Senhora da Agonia” em Viana do Castelo
Agraciada com a Medalha de Prata do Concelho de Cantanhede.
 
Fundadora da Federação de Filarmónicas do Distrito de Coimbra, tendo participado nos oito Encontros Distritais.
Actualmente a Banda é composta por 54 Filarmónicos, na sua grande maioria jovens de ambos os sexos, a grande maioria com idades inferiores a 20 anos.
 
A Direcção Artística – Filarmónica e Escola de Música, encontra-se a cargo do Maestro António José Borges de Brito , desde março de 2013, a cujo perseverante esforço se deve, o grande aperfeiçoamento a que ela chegou e que, para honra sua e da terra, deve ir aumentando dia a dia, para que o bom nome e a justa fama, que há muito a acompanham, se alarguem cada vez mais e cheguem a todo o País.
 
Evoca-se o Ilustre Pocaricense ANTÓNIO DE LIMA FRAGOSO, compositor, “Um génio feito saudade”, como motivo de exemplo e de entusiasmo para a nossa Juventude que encontra na Música e na sua Banda um grande veículo de inspiração.